Folha Universal

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Alimentação noturna


Alimentação noturna prejudica metabolismo

Despertar à noite para comer pode ser sintoma de síndrome alimentar

Frequentar a geladeira à noite pode ser um hábito prejudicial à saúde. A excessiva fome nesse período é um dos sintomas da Síndrome Alimentar Noturna (SAN), que já afeta 3 milhões de brasileiros e predispõe o indivíduo à obesidade e diabetes.
A SAN caracteriza-se por maior ingestão calórica no período noturno, sobretudo após as 19 horas. A alimentação predominantemente noturna cria um desequilíbrio no metabolismo, tornando-o mais lento durante o dia e levando o organismo a estocar os nutrientes nos períodos de maior consumo e menor gasto energético.
Despertar durante a noite para comer, além de afetar a qualidade do sono, provoca a falta de apetite na manhã seguinte. Os principais fatores ligados ao surgimento da síndrome são o estresse, a má distribuição do volume de alimentos e calorias ingeridos, insônia e má alimentação durante o dia.
Como identificar
Cerca de 10% dos obesos e 27% dos obesos mórbidos possuem a síndrome. Um quadro de SAN começa a se consolidar quando a fome ou vontade de comer do indivíduo diminui durante o dia e surge fortemente à noite. A dieta deixa de ser normal quando 55% ou mais da ingestão calórica diária ocorre após às 19 horas. Habitualmente, nesse período ingere-se cerca de 15% das calorias diárias.
“O paciente precisa comer bastante para conseguir se sentir satisfeito e dormir. Durante o dia, ele nem se lembra de comer”, explica a endocrinologista Claudia Cozer, diretora da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso). Segundo ela, os alimentos mais procurados em episódios da Síndrome da Alimentar Noturna possuem maiores valores calóricos, ricos em gordura e carboidratos finos, como açúcares, pães, doces.
Esses alimentos, geralmente, estimulam a liberação de endorfinas, os neurotransmissores ligados à sensação de prazer e bem-estar. Por isso, o tratamento da SAN se dá por meio de reeducação alimentar, terapia cognitiva comportamental e, em casos mais extremos, medicamentos anticompulsivos.

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